terça-feira, dezembro 23, 2008

O Sentido do Natal


Conforme o calendário Cristão á 2009 anos atrás nascia na cidade de Nazaré um menino especial... sim, claro, estou falando do homem mais maravilhoso e conhecido em todo o mundo - Jesus Cristo! Jesus (8-4? a.C.29-36? d.C.) é a figura central do cristianismo. Para a maioria dos cristãos ele é o Filhos de Deus enviado à Terra para salvar a humanidade conforme o plano de redenção traçado e profetizado desde a queda do homem no pecado do Jardim do Édem. Embora tenha pregado apenas em regiões próximas de onde nasceu, a província romana da Judéia, sua influência difundiu-se enormemente ao longo dos séculos após a sua morte. Ele pode ser considerado como uma das figuras centrais da cultura ocidental, e existem inúmeros pontos de vista acerca de sua trajetória de vida, desde religiosos até métodos históricos, vários nomes, diferentes interpretações... Mas o fato é que até hoje não há provas científicas nem concretas sobre sua existência e nem de sua inexistência mas há muitos e muitos indícios que provam sim, que houve uma revolução social no local e data da época de sua passagem na terra e até hoje sentimos sua influência na cultura e tradições que vivemos.
Independente do fato dos homens só acreditarem naquilo que conseguem provar através do microscópio e da ciência, o fato é que o "espírito de Natal" é uma das crenças e sentimentos que não são provados no laboratório, mas é sentido por todos, de uma forma ou de outra. É claro que há um apelo comercial enorme e é de datas assim que o comercio vive e o capitalismo sobrevive, mesmo em tempos de crise, mas e os sentimentos, e aquela sensação que não conseguimos explicar, não só no Natal, mas em situações singulares que cada ser humano tem o privilégio de sentir e ficar embasbacado, sem fala e nem explicação lógica, onde fica? Não precisa levantar as mãos publicamente quem já sentiu algo inesplicável, mas você e eu sabemos que cada um de nós já sentimos isso sim, seja em um momento de extrema alegria ou em um de extrema dor onde não se consegue achar uma saída lógica...
Estou abordando este fato do sentimento e abstração porque nesta época natalina é comum nos sentirmos envolvidos por sentimentos de amor, compaixão, necessidade de união familiar... mas nos esquecemos do verdadeiro sentido do Natal, que deveria ser o nascimento de Jesus, nosso salvador.
Claro que a história do Natal que comemoramos hoje é outra, é baseada em um dia de comemoração de um santo católico chamado "São Nicolau" que ajudava financeiramente os necessitados colocando moedas em meias pinduradas nas janelas nas épocas de inverno, que é a figura do Papai Noel, muito mais lembrado nas decorações de Natal.
E conforme indícios históricos o nascimento de Jesus não aconteceu em Dezembro e sim provavelmente em Abril, caso contrário Maria não teria aguentado o rigoroso inverno em sua peregrinação rumo à Nazaré.
Tirando todos os dados e incoerências histórias, sendo a data correta do nascimento de Cristo ou não, o fato é que devemos lembra-la sim, não somente como uma data onde se constroem árvores adornadas, Papais Noéis espalhados pelos shoppings e distribuição de presentes... Devemos nos lembrar que existe um Deus que está no controle da história, um Deus que enviou seu filho para cumprir um plano de salvação e este Filho veio e cumpriu sua missão, a de nos salvar, mas sua principal missão continua até hoje que é nos amar e é deste amor que devemos nos lembrar e comemorar a cada ano. Apesar das tragédias, desilusões e sofrimentos que nos fazem perder de foco o amor de Deus ele sempre está alí, em cada dia do ano, do nosso lado, observando cada decisão e esperando nosso pedido de socorro pra poder agir... Sim, também está alí, do nosso lado, nos momentos de comemorações, onde raramente esquecemos de agradecer, mas felicidade já é um sinal de gratidão a Deus...
Em fim, em um mundo cada vez mais individualista, capitalista e egoísta, existe sim um motivo para existir o Natal e não é só pra render dinheiro, mas é principalmente pra unir as famílias e quem sabe, vagamente, escondido no meio de árvores e pacotes coloridos existir um presépio que nos remeta ao nascimento do verdadeiro sentido do Natal, o que na verdade é o real sentido das nossas vidas! Pra tudo há um propósito, nada é por acaso, mas obter as respostas e os significados depende da visão de cada um, seja com os olhos da fé ou da ciência, mas visão e não cegueira dos comuns que vão no calor da maioria sem se questionar ou saber o porquê das coisas, o porquê da existência de uma data comemorativa em pelo menos metade do planeta...
Sim, Jesus nasceu, não sei precisar a data correta, mas sei que nasceu!
Que possamos neste Natal e em todas os dias do ano sentir sua presença, como um ser vivo que veio ao mundo pra fazer a diferença e apesar das incoerências dos homens, ainda assim nos ama muito e continua aqui, aí, ao nosso lado, pra segurar nossa mão, seja em um momento de dor ou pra erguê-las em comemoração, mas ao lado, sempre!
Feliz Natal, Feliz 2009... cada dia ao lado do verdadeiro sentido do Natal, do decorrer do ano, de nossas vidas!

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Vick, Cristina, Barcelona


Assisti á alguns dias atrás o novo filme de Wood Allen “Vick, Cristina, Barcelona”. Trata-se de um filme passado na cidade de Barcelona, na Espanha; a crítica já revelou tratar-se de um filme encomendado pelo governo da Espanha para mostrar a cidade turística de Barcelona e suas belezas esquecidas como a cidade de Olviedo, obras de Galdi etc (justificando assim tal encomenda).
O filme gira em torno da amizade entre duas pessoas totalmente diferentes e suas experiências em um país latino. Claro que vira mais um clichê onde turistas americanas vão para um país latino, onde encontram o primeiro típico homem latino para viver uma aventura longe de casa.
Não gostaria aqui de tecer elogios ou críticas sobre o roteiro abordado, sobre o estilo Wood Allen de ser ou sobre as belezas da Espanha, mas gostaria de focar o olhar nas diferenças de personalidades e suas riquezas de olhares únicos sobre o mesmo lugar ou situação.
São sentimentos de busca, angústia, dúvidas, prazeres e conveniências padronizadas por uma sociedade e os espantos diante de tudo que foge desta padronização.
Ouvi muita gente criticar o filme porque ele mostra cenas de um triângulo amoroso eficaz, sobre a relação entre mulheres, sobre traição, curiosidade, medo e prazer, tratadas com naturalidade no filme mas não tão naturais pelas pessoas que assistem. Preconceitos a parte, trata-se de sentimentos e conflitos vividos por todo ser humano que se preste a viver a vida de forma aberta para descobertas sem medo das perdas, focando apenas as riquezas a serem ganhas com tais experiências. Não quero defender nenhuma atitude ali tomada, mas que tal olharmos tudo com um olhar aberto, analítico e sincero sobre as reações ali tomadas e as nossas reações diante disso tudo? Conseguimos ter essa sutileza e riqueza em admirar as reações humanas como um universo aberto a novas experiências em prol do nosso próprio crescimento como ser humano?
O mais interessante é que depois de todo aquele turbilhão de emoções vividas no longa metragem, cada personagem não muda um milímetro do que eram antes de entrarem no olho do furacão. As personagens centrais voltam para Nova York da mesma forma que foram, com suas certezas, convicções, dúvidas e incertezas de sempre, em busca e em fuga das mesmas coisas, mas será mesmo que foi assim? Os personagens da Espanha também por lá ficaram, com seus conflitos e fantasmas, da mesma forma como se nada tivesse acontecido. Geralmente os filmes do Wood Allen terminam assim, forçando esta ótica de que após uma tempestade, o mundo volta a ser e parecer exatamente igual ao que era antes da tempestade, mas será que na vida real é mesmo assim?
Acredito e volto a defender que cada ser humano carrega um universo inteiro e complexo demais para ser tratado com generalização e a naturalidade da maioria como sendo iguais e por acreditar nisso muita gente vive de acordo com essa abordagem, do mundo dos comuns e passam a vida inteira vivendo de acordo com maioria, seguindo a maré dos comuns com medo de mudar ou arriscar tornar-se diferente para não parecer estranho. Como disse anteriormente não vou abordar o preconceito sexual ou regras tradicionais, mas abordo a abertura a novas experiências, vivencias sem deixar que a mesmice nos engesse cegando-nos das maravilhas das experiências humanas.
Que possamos tornar nosso olhar analítico sem preconceitos, nossos sentimentos mais refinados perante as experiências alheias e que as nossas sejam ricas o suficiente para movermo-nos sim, muitos milímetros a cada dia, cada experiência, tornando-nos serem humanos, universos mais ricos.