terça-feira, maio 26, 2015

Como faz pra não pirar?


Como é que faz pra não pirar todo dia de manhã quando você abre os sites de notícias e vê a quantidade de gente sendo morta por brigas religiosas internacionais de proporções atemporais, aí olha pro outro lado e vê um país de piada pronta com o slogan “pátria educadora”, pátria essa que paga mal os professores, oferece uma educação de péssima qualidade para os cidadãos (que não possuem o conhecimento gramatical básico nem para escrever uma faixa de protesto corretamente) e confisca o direito pré-adquirido dos que financiam o pagamento da sua graduação ( sim, por que o governo não está dando nada pra ninguém ao conceder o FIES, trata-se de um empréstimo que será devidamente pago e com  juros).
Como não pirar ao ver uma geração inteira ser rotulada de “acelerados mas desequilibrados” oriundos de um mercado de trabalho agressivo, de uma cultura que carrega desde a colonização Portuguesa a lei do “mais esperto” e com isso valoriza-se bunda, peito, beleza, futilidades e menospreza-se aquele que estuda, corre atrás e não tem medo de se arriscar em prol de um futuro melhor e seu lugar ao Sol (só não esqueça de usar o filtro solar, rs)
Como não pirar com a constatação de que, para viver em um país como o nosso, é muito mais vantajoso não trabalhar e ser refém de um governo populista que fornece “bolsa” pra tudo e com isso o cidadão vende a própria dignidade em troca de pão e circo, enquanto os que trabalham são obrigados a pagar impostos-sobre-impostos-sobre-tudo sob a pena de multas e mais impostos caso não os pague e viva assim, também refém de um governo opressor economicamente e corrupto de natureza.
“É de sonho e de pó o destino de um só” e é de vergonha e humilhação o destino de uma nação!
Como não pirar?
Pensar é transgredir. Questionar é vã filosofia. Ser honesto virou sinônimo de “coxinha” enquanto as melhores oportunidades ficam “além mar”.

Há que se questionar, “pero no mucho”. Há que se revoltar, mas sem pirar. Há que se bater panelas e cabeças, há que se exercitar o senso crítico “sem recalque” e no país do futebol, sob os braços abertos do Cristo Redentor ou sobre a ponte estaiada da terra da garoa, há que se manter a sanidade, o equilibrio e a estranha mania de ter fé na vida, já que “pirar” nunca foi opção válida como pergunta á tantas respostas.

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