sexta-feira, março 12, 2010

Vale a Pena Viver?



Vale a pena Viver? Se questiona um suicida que a tempos tem feito milhares de questionamentos sem resposta.. questões sobre o universo, sobre as pessoas, sobre as injustiças, sobre a vida! Inquieta-se com questões sociais, globais e morais, mas questiona-se principalmente com questões pessoais! Porque fez as escolhas que o levaram a tais conseqüências? Porque não conseguiu prever e anteceder os fatos, ter visão, ser mais esperto? Porque algumas vezes foi tão relapso consigo mesmo, foi inconseqüente e imaturo? Porque não escolheu o mais difícil ao invés do mais fácil? Resposta simples: porque o mais fácil é mais fácil! Mas porque viver tem que ser fácil? porque a dificuldade nos repulsa, nos cansa, nos assusta? Porque tudo tem que ser tão difícil?
Queria ele ter o prazer de viver de prazer! De facilidades, comodidades e prosperidade! Queria ter as respostas para as questões que lhe atormentam e mais que isso, não precisar ter que fazê-las! Queria o sol, mar, sombra e água fresca da vida, das conquistas, da realização dos sonhos e utopias alcançadas! Queria ser feliz!
Com o vislumbre do pôr-do-sol da vista de cima de um arranha céu o suicida reflete sobre tudo e nada, aprofunda-se e fica á margem do desespero, da dor, da solidão e ouve com a clareza que nunca tivera antes o som da sua própria consciência, o som do seu coração, o som quase palpável da sua dor e só consegue enxergar diante de si a solução dos seus problemas e questionamentos dando fim a todas elas e por conseqüência fim á sua própria vida e faz o último questionamento e o mais importante de todos: Vale a Pena viver? e de repente passa um filme em sua memória de toda sua vida, sua história e trajetória que o trouxe até aqui e lembrou-se daquela vez na sua infância quando levou o primeiro tombo de bicicleta e sua mãe veio lhe oferecer carinho, atenção e um sopro curador na ferida que só as mães tem e lembrou-se o quão importante e amado ele é por sua mãe que sempre lhe ofereceu compreensão e amor incondicional. Lembrou-se também daquele passeio de carro com seu pai e das músicas antigas que sempre que as ouvia lhe remetiam àquela tarde ensolarada e os papos que tinha com seu pai e pode reconhecer que pelas mesmas angustias e dores seu pai também passou mas hoje é um vitorioso e teve orgulho de ser seu filho! Lembrou-se de todas as desventuras em série de sua adolescência e seus amigos, suas proezas, aventuras amorosas, noites de diversão e dias de completa letargia e satisfação... lembrou-se dos livros que leu, filmes que viu, músicas que ouviu, dançou até cair, mulheres que beijou, amou... e o amor! Ah, o amor como é bom amar e ser amado! e aos poucos de lembrança em lembrança sua tristeza foi diminuindo, sua angustia aliviando e o sol finalmente se pôs no horizonte e também no seu coração, o poente e quietude dos questionamentos e com a noite veio as respostas, não todas, mas quem sabe a que daria estopim para o despertar das outras e pode então finalmente perceber que ter respostas não significa encontrar a felicidade e ter felicidade não significa ter tudo ou encontrar o sentido da vida mas que ter vida é o que dá sentido a todo o resto! Ter vida é ser esse poço de questionamentos, ilusões, sonhos, decepções, frustrações, conquistas e tantas e tantas outras coisas e outros sentimentos que só se pode ter se tiver coragem de viver e provar tudo isso e morrer pode sim trazer fim ás coisas ruins mas põe fim também nas coisas boas vividas e principalmente fim ás coisas boas que ainda estão por viver! Viver!!!
Desceu do prédio, desceu do pedestal do dono de sua vida e dono de sua morte também e subiu no trem que não tem destino certo, não tem parada obrigatória, não tem respostas concretas e segue rumo á surpresa, ao incerto e por ser assim desafiador, instigador, empolgante... Escolheu subir no trem da vida e seguir seu caminho que não promete felicidade plena mas garante a constante busca por ela!
Primeira resposta: Vale Sim! ... Já é um começo...
Segunda pergunta: Um abraço pode salvar uma vida?
Talvez não.. mas traz uma sensação de bem-estar imenso... um dos prazeres de viver!
FREE HUGS! Abraço de graça... que não tem preço!

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