terça-feira, abril 24, 2012

No limiar!



Tenho escrito aqui sobre superação, auto conhecimento, conquistas e vitórias pessoais...quebra de barreiras, preconceitos, medos e sentimentos reclusos. Muita coisa dita, muita coisa a se dizer e a maioria subtendida nas entrelinhas subliminares.. Mas o foco é sempre o mesmo: Crescimento! Crescimento pessoal, interior, de dentro pra fora, de fora pra dentro... pois viver implica crescer.. seja pouco, seja muito, seja significante ou não, mas crescer, modificar, atuar, viver!
Mas quando olhamos pra dentro, de forma analítica, percebemos que nesse crescimento, nessa agregação de valores e conhecimento há muito lixo, muita coisa inútil mas que insistimos em acumular, cultivar e estruturar no nosso jeito de agir, nossa personalidade e depois disso usamos a clássica desculpa "eu sou assim mesmo!". Não, ninguém "é assim mesmo" a menos que escolha ser assim, a menos que aceite e no fundo goste de ser assim, e se assim o for: ótimo! Com tanto que se assuma, sem escusas.
Somos a soma dos valores que agregamos á nossa personalidade, á nossa cultura pessoal com o passar do tempo e por vezes nos esquecemos que somos assim de acordo com as escolhas que fazemos, com as oportunidades que tivemos e não o contrário. "Ser assim" ou "Estar assim" é opcional, seja pra coisas boas ou coisas ruins.
Nesse ínterim de constante formação como ser humano percebemos que cada um de nós possui um limiar, um ponto específico em que define nosso limite, nossa barreira, nossa fronteira interior onde as coisas acontecem, se modificam, se iniciam. É uma área sensorial que varia de pessoa pra pessoa, como por exemplo, se pegarmos um compasso e juntarmos as duas pontas e apertar no braço, a sensação é que existe um ponto só nos apertando, mas à medida que vamos afastando os extremos do compasso, chega um determinado ponto em que sentimos que deixou de ser um ponto só e passou a ser dois: esse é o diâmetro do nosso limiar, nossa delimitação de percepção, ou em outro momento e exemplo, quando algo nos toca.. E aos poucos vai apertando..."não doeu, não doeu, doeu!" esse momento em que "doeu" é o limiar da distancia entre algo que a pouco era indiferente mas de repente passou a ser significativo ao nosso sentido, neste caso a dor. Em nosso interior sentimental é a mesma coisa, temos um limiar de percepção em que algo antes indiferente passa a ser significativo na medida em que lhe atribuímos valores que são singulares e particulares de acordo com nossa vivência, nossa história e nossa percepção de mundo, ou seja, existem pessoas sensíveis á gritos, ignorância e outras nem tanto... existem pessoas que um simples olhar atravessado pode significar uma ofensas e pra outros não quer dizer nada.. já outras pessoas precisam de carinho e atenção constantes, já para outras essa constância é desnecessária...Ou seja, cada um tem seu limiar, um espaço entre dois pontos que delimitam o que nos fere, nos ofende, nos intriga, nos emociona, nos alegra, nos enciúma.. Ou não.
Contudo o limiar é relativo e é neste ponto que quero chegar... Assim como nossa pele é sensível á dor ou ao calor, em um dia e em outros é diferente, o nosso limiar cognitivo é relativo, ou seja, o que ontem não me afetava, de acordo com minha absolvição de valores, amanhã pode me afetar profundamente, pois passei a admitir que determinada ação me atinge e apartir disso, toda ação desse tipo me atingirá. Em outras palavras, eu posso acreditar que o ser humano tem potencial de ser melhor a cada dia, que ele pode evoluir como indivíduo social, pode ser caridoso, bondoso etc., Contudo se por uma decepção eu passar a generalizar e afirmar que o ser humano em potencial é ruim, eu ultrapassarei o meu limiar e passarei a não confiar em mais ninguém, passarei a desconfiar de todos e viverei em constante atitude de autodefesa pra não me machucar outra vez. Ou seja, uma pele ferida terá mais sensibilidade do que uma área em que nunca houve uma cicatriz, contudo não é por isso que eu isolarei essa área, protegendo-a e ao mesmo tempo impedindo-a de respirar.. E assim acontece com nossa mente, nosso consciente, nossa vida emocional, há limiares determinantes que dependendo do que decidimos podemos travar algo, deixar de viver alguma situação e sofrer por uma opção interna ás vezes inconsciente que pode ser prejudicial se não percebermos que o é.
Que possamos olhar pra dentro de nós e determinarmos que nosso limiar seja sensível á coisas boas, positivas e que sejamos inteligentes e maduros o suficiente pra fazer este diagnóstico do que nos faz bem ou nos faz mal de forma inteligente emocionalmente, pois lixos acumulados como medo, exitação, desconfianças e pessimismo podem vir camuflados de auto-proteção, mas na realidade são como freios-de-mão puxados impedindo-nos de avançar, crescer, evoluir e viver, já que Viver, como dito no início, implica muita coisa, mas principalmente nos proporciona novas experiências, as quais devem ser de aprendizado e crescimento e não de regressão e estagnação.
Que possamos viver de forma plena, sem travas, traumas ou defesas pois saber escolher o que nos transforma a cada dia é nosso compromisso consigo mesmo, compromisso de sermos felizes, amados e satisfeitos com a vida e a vida é feita de escolhas e decisões as quais determinam desde o humor que teremos durante o dia até o nosso futuro... E a palavra "limiar" no dicionário, figurativamente significa "começo"...começo de um limite, começo de um ponto diferente do ponto anterior e que assim, em nossa vida pessoal, possamos ter vários começos de coisas boas, decisões altruístas e o começo da decisão em se desfazer daquele lixo que só nos faz mal, nos impede de viver e assim nos priva de termos a cada dia novos começos, novas experiências de felicidade, novos limiares!

Um comentário:

Priz disse...

Poxa vida... isso faz minha mente a crer ainda mas numa filosofia própria, deixar a vida ser minha e não dos outros e ser sempre você em qualquer ação,dizer ou olhar sua vontade. Pois a vida não para e tenho tantas experiencias mesmo acertando ou errando... sempre!.