terça-feira, abril 06, 2010

Boazinha?



Sempre fui considerada uma boa menina e até certo ponto sempre gostei deste título, contudo me irrita e me incomoda profundamente ser titulada como "boazinha" porque isso remete á "bobinha", "tontinha", fácil de contornar, enganar...
Ser boa filha, boa aluna, boa profissional, boa amiga, boa namorada, boa irmã, boa... ainda vai, mas "boazinha"? Diminutivos me incomodam e tá aí um adjetivo que não diz muita coisa,ou se é boa ou não é.
Se formos procurar nas livrarias existem vários títulos de livros que abordam este tema, como por exemplo "Meninas boazinhas vão pro céu, as más vão á luta", ou seja, não basta ser classificada como boazinha e tudo estará garantido, ou quer dizer que as boazinhas não vão á luta? e Pior, pra ir à luta tem que ser má?
Logo me vem a indagação: O que seria uma menina má? Aquela que impõe respeito, diz o que pensa, age por impulso, se diverte, dá risada e cai nas graças da própria vontade sem se incomodar com a opnião alheia? E vão á luta com a cara e a coragem dignas de uma guerreira.. isso as tornam más? ou como diria Cássia Eller "Rezando baixo pelos cantos, por ser uma menina má!"
Rótulos são pra geléia e títulos para livros, não para pessoas! Prefiro acreditar que dentro de cada um de nós existe o bem e o mal, a noção do certo e do errado, a medida da sanidade e da loucura e achar o equilíbrio certo é tão complicado que quem tiver a receita por gentileza poste-a nos comentários!
Ser "boazinha" ou uma "menina má" podem até definir certos esteriótipos criados pela sociedade para caracterizar certas atitudes mas jamais para dividir as mulheres entre boas ou ruins e pior, ser caracterizada como isso ou aquilo não deveria e não deve nortear nossa personalidade e atitudes baseadas nisso!
Ao pesquisar este tema, achei um texto da Martha Medeiros (sempre ela) que diz tudo, segue para reflexão e diversão :)
"Qual é o elogio que uma mulher adora receber? Bom, se você está
com tempo, pode-se listar aqui uns 700: mulher adora que verbalizem
seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter,além do corpo que é uma provocação, e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,da sua aura de mistério, de como ela tem classe: ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter-se no cargo vai depender de sua perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe, que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades, que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade, seu bom gosto musical. Agora, quer ver o mundo cair? Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha. Voz fina, roupas pastéis, calçados rentes ao chão. Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja, cuida dos sobrinhos nos finais de semana. Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor. Nunca teve um chilique. Nunca colocou os pés num show de rock. É queridinha. Pequeninha. Educadinha. Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos. Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas. Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos. A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas, crucifixo em cima da cama, tudo certinho. Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um desejo incontrolável de virar a mesa. Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes, estrelas, profissionais. Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen. Ser chamada de patricinha é ofensa moral. Pitchulinha é coisa de retardada. Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa. Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo. As boazinhas não têm defeitos. Não têm atitude. Conformam-se com a coadjuvância.
Ph neutro. Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções, é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas, apressadas, é isso que somos hoje. Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos. As inhas não moram mais aqui. Foram pro espaço, sozinhas
."
Boas ou más, que possamos antes de tudo sermos nós mesmas, "caps lock" ativo, com personalidade, genialidade e brilhantismo dignos daquelas que sabem o que são e sabem o que quer!
Quanto à mim, eu quero é ser feliz! :)

Um comentário:

Supostamente eu... disse...

Bonito, "pegado", forte e sensato...
Mas cuidado... "boazinhas" não se restringem somente ao que você comentou, mas não se deve confundir boazinha com boba ou sonsa... isso sim é retrocesso.
Existe um ditado que conheço desde jovem: "Sou bom, não sou bobo" e outro um pouco mais recente: "Sou bom quando eu sou bom, mas quando sou ruim eu sou melhor ainda..."
De fato algumas situações nos causam reações e revoltas, mas saber usar a reação de forma sucinta causa revoltas contrárias ainda maiores.
No mais, ótimo texto.
Um abraço